Calango, nome de uma dança típica do norte de Minas, foi gravado no período de julho a agosto de 1994 no estúdio carioca Nas Nuvens, um templo do BRock. Para dividir a produção, o Skank convidou o engenheiro de som mineiro Gauguin, que já havia participado das gravações de “Skank/93″ e o paulista Dudu Marote. Dudu, que a partir de então passou a trabalhar com vários outros nomes, teve seu nome conhecido pelo grupo a partir de um remix de “Baixada News” em meados de l993. Calango é o álbum em que o Skank mais se mostrou influenciado pelo dancehall jamaicano. Em meio a canções assinadas por Samuel Rosa e Chico Amaral surge uma versão para “É Proibido Fumar”, de Roberto e Erasmo Carlos. Essa gravação também foi incluída no projeto “Rei”, produzido por Roberto Frejat. O projeto gráfico de Jarbas Agnelli foi desenvolvido a partir de um trabalho do artista Ilson Lorca, figura conhecida no carnaval de rua do Rio, criado especialmente para as comemorações dos jogos do Brasil na copa do mundo. No encarte quem veste a fantasia é o baixista Lelo Zaneti. Jarbas, além de trabalhos como a capa de “Manual Prático Para Bailes, Festas e Afins” de Ed Motta, também dirigiu o clip de “Made in Japan” do Pato Fu, premiado no VMB 2000 da MTV. As fotos são de Cláudio Elisabetski. Calango foi lançado em outubro de 94 e vendeu 1.200.000 cópias.
Faixas
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Deus lá de cima sabe muito bem
Qual a minha sina: o que que me convém
Bicho do mato ela veio comigo
Teve ninho, carinho, broa, abrigo
Labutei na roça, labutei no milharal
Labutei passando bem
Labutei passando mei mal
Bruma no cerebro dela de repente
Brus tão brusca, brus bruscamente
Deixa de gostar, deixa de me tratar bem
Começa a gostar de deixar de me tratar bem
Manha manhosa, nhem nhem nhem
Eu só penso nela, ela só pensa em se mudar
Quanto mais eu brigo mais me grudo aqui
Quanto mais eu fujo mais eu tô apaixonado
Bruma no cerebro dela de repente
Brus tão brusca, brus bruscamente
Dois guris dos oito que a gente tem
Ela apanhou na rua com alguém
Mesmo assim eu fui pai pros pobrezinhos
Na lei da humildade conforme Jesus Cristo
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Funk lá no morro da Mangueira.
Essa menina tá dizendo sim, eu sei
Noite bamba, tudo à beca
Baião na rampa do Cruzeiro
Essa menina tá dizendo don\’t worry
Cause everything is gonna be alright
Everything, every tune will be played by night
Reggae lá na rádio do Café
Rapaziada que estiver afim vai lá
Eu vou ficar com Jackie
Se é que Jackie vai prá lá
E se não for, já foi
O bonde do desejo segue rumo
Caixa, bumbo e sexo
Saudade na rampa do mundo
Seu nome é Jackie, Jackie Tequila
Seu nome é Jacqueline Misty Tequila
Jackie foi nascer numa cabana em Noa Noa
Sol do Taiti na pele, nowboah
Seu pai cruzou o mar, duas filhas na canoa
Côco pra beber e leite de leoa
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Uma esmola pelo amor de Deus
Uma esmola, meu, por caridade
Uma esmola pro ceguinho, pro menino
Em toda esquina tem gente só pedindo
Uma esmola pro desempregado
Uma esmolinha pro preto pobre doente
Uma esmola pro que resta do Brasil
Pro mendigo, pro indigente
Ele que pede, eu que dou, ele só pede
O ano é mil novecentos e noventa e tal
Eu tô cansado de dar esmola
Qualquer lugar que eu passe é isso agora
Eu tô cansado, meu bom, de dar esmola
Essa quota miserável da avareza
Se o pais não for pra cada um
Pode estar certo
Não vai ser nenhum
Não vai não, não vai não, não vai não
No hospital, no restaurante,
No sinal, no Morumbi
No Mário Filho, no Mineirão
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Iça Iça vela do barco
Mar do atlântico sul
Marinheiro João do Arco
Anjo do céu azul
Iça Iça âncora vela
Três milhas do atol
Sol na nuca e o corpo dela
Ofusca a luz do sol
Quem avista a ilha do amor
No mar só se dá bem
Um peixe que eu pesquei me fisgou
Fui seu peixe também
Roupa lavada no varal
Cega minha visão
Moça do batalhão naval
Pega na minha mão
Tempestade vai e vem e vai
Firme no leme marinheiro
Ela me quer,eu já não choro mais
Vou correr o mundo inteiro
Me dá um beijo
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( Samuel Rosa – F.Furtado – Chico Amaral )
Fazendo cerca na Fazenda do Rosário
Resto de toco velho mandado pelo vigário
Meu camarada, eu moro aqui do lado
O terreno que tu cerca já tá cercado
Não entendi a assertiva do compadre
Se é lei chama o doutor
Se é milagre chama o padre
É muito simples, tu veja ali na frente
Tá vendo o laranjal, minha cerca passa rente
Que dia quente, tem feito muito calor
Daqui há pouco, meu vizinho vê um disco voador
Se visse até pedia para descer
Quem sabe se um marciano
Consegue te esclarecer
Ô meu compadre, Cê tá vendo assombração
Cê num e advogado, cê num é tabelião
Nem por isso eu deixei de fazer o justo
Se o sujeito enxerga torto
O direito dá um susto
Tu cerca a terra, tu cerca até o mundo
Então cerca tua filha, toda noite aqui no fundo
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( Roberto Carlos – Erasmo Carlos )
É proibido fumar, diz o aviso que eu li
É proibido fumar, pois o fogo pode pegar
Mas nem adianta o aviso olhar
Pois a brasa que agora eu vou mandar
Nem bombeiro pode apagar
Eu pego uma garota e canto uma canção
Nela dou um beijo com empolgação
Do beijo sai faisca e a turma toda grita
Que o fogo pode pegar
Nem bombeiro pode apagar
O beijo que eu dei nela assim
Nem bombeiro pode apagar
Garota pegou fogo em mim
Sigo incendiando bem contente e feliz
Nunca respeitando o aviso que diz
Que é proibido fumar
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( Samuel Rosa – Lelo Zanetti – Chico Amaral )
Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível
É como mergulhar num rio e não se molhar
É como não morrer de frio no gelo polar
É ter o estômago vazio e não almoçar
É ver o céu se abrir no estilo e não se animar
É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar o sapato e não descalçar
É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato estrela do mar
É como não sentir calor em Cuiabá
Ou como no Arpoador não ver o mar
É como não morrer de raiva com a política
Ignorar que a tarde vai vadia e mitica
É como ver televisão e não dormir
Ver um bichano pelo chão e não sorrir
É como não provar o nectar de um lindo amor
Depois que o coração detecta a mais fina flor
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Chega disso! Não vou pudê!
Já toquei, agora vou, agora gol!
I gotta go, now, Agora!
Bamba quando sai o samba liga o automático
Solidariedade, caridade e senso prático
Signo de touro, tudo que por dendro é ouro
Aflora a batucada na barriga da manhã
É no palácio, é no casebre,
É no sobrado e é na moita
Bem bom do bimbilim, big bang do bumbum
A minha nêga gosta, chega e se encosta
A noite inteira all night long Hum, all night long
Desci lá do Cruzeiro na batida da guitarra
Neguinho da favela quis saber onde era a farra
Eu disse – meu irmão, onde tiver tomada eu to
Umbuzal,Taquaril, um buraco do Brasil!
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Chuva sobre chuva, noite e dia só chovia
E eu descia para a rua
No meio da avenida um amigo me via
Aonde você vai, Sam?
Vou ali, depois te conto
Chuva tão sem graça, tudo que aborrece passa
Logo o sol ensolarava
Passando pela praça uma gata me mata
Aonde você vai, Sam?
Vou ali depois te beijo
Um pregador me pega
Me prega o seu asco, um saco
E eu já tava no inferno
Um pregador moderno.
Blusão de couro em vez de terno
Aonde você vai, filho?
Vou ali, depois me humilho
Cineclube á tarde, filme de Godard e Bergman
Nunca mais vou esquecer
Te conheci na vida, te conheci num fim de ano
Aonde você vai, Sam?
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Açúcar no cais do porto
É na estiva, é na estiva
Ás vezes me sinto morto
A alma morta, a carne viva
Podiam me esquecer
É tudo igual, é todo dia
Disputas na estivagem
Viver de amor, calor e briga
Capo é um bom selvagem
Empurra o fardo com a barriga
Podiam reconhecer
Alguém mais fraco sucumbia
Mas eu aguento a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador
As putas do porto partem
Na convulsão dos dias quentes
Que voltem, que se fartem
Com meu coraçãozinho ardente
Podiam lembrar de mim
Alguém sincero lembraria
Mas eu seguro a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador.
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( Samuel Rosa – Chico Amaral )
Pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à tôa , não
C\’est fini la utopia, mas a guerra todo dia
Dia a dia não
Tracei a vida inteira planos tão incríveis
Tramo á luz do sol
Apoiado em poesia e em tecnologia
Agora à luz do sol
Pra que tanta tevê, tanto tempo pra perder
Qualquer coisa que se queira saber querer
Tudo bem, dissipação de vez em quando é bão
Misturar o brasileiro com o alemão
Pra que tanta sujeira nas ruas e nos rios
Qualquer coisa que se suje tem que limpar
Se você não gosta dele, diga logo a verdade
Sem perder a cabeça, sem perder a amizade
Consertar o rádio e o casamento
Corre a felicidade no asfalto cinzento
Abolir a escravidão do caboclo brasileiro
Numa mão educação, na outra dinheiro.
Pacato cidadão